6 – Desempenho
Como já referido no primeiro ponto desta análise, o SoC Nvidia Tegra 3 surgiu no Surface cerca de 1 ano depois de se ter estreado num dispositivo. Não haja dúvida que o Tegra 3 é bastante poderoso, porque o é realmente, mas a concorrência não parou e, comparando com o que existia na altura do lançamento do Surface (e agora ainda pior), o Tegra 3 considera-se apenas como um bom “motor”, mas não de topo.
Concretamente, trata-se do chipset Nvidia Tegra 3 T30, com um CPU Quad-core Cortex-A9 a 1.3GHz e o GPU ULP GeForce, exactamente o mesmo que equipa o Asus Transformer Prime TF201 (anunciado em Outubro de 2011 e lançado em Dezembro do mesmo ano).
Na prática, o Tegra 3 desempenha a sua função com dignidade mas é evidente que o Windows RT, na generalidade, é um pouco “mais pesado” que o Android, comparando os tablets com o mesmo SoC. Poderá eventualmente dever-se ao Kernel do Windows RT, que poderá carecer ainda de alguma optimização, mas o que é facto é que nenhum Android consegue oferecer um ambiente de trabalho tal como o Surface oferece.
Portanto, se esse for o preço a pagar, então o Surface poderá ser um bom negócio, considerando este ponto.
O novo 3DMark ainda não está disponível para os sistemas operativos móveis e, por isso, não estão disponíveis benchmarks compatíveis entre ambas as plataformas que consigam englobar todos os aspectos do sistema.
Optei por utilizar dois benchmarks: o PeaceKeeper e o SunSpider.
Para tal utilizei o Internet Explorer, na interface moderna, e a aplicação Google Search (que utiliza o motor do IE).


O IE tem clara vantagem, até porque o Google Search assenta sobre o IE.
No mesmo mês de anúncio do Surface, a Apple anunciou a 4ª iteração do iPad e faz algum sentido comparar os resultados dos mesmos benchmarks, já que são compatíveis entre as plataformas. Eis o resultado:

O iPad apresenta clara superioridade em ambos os testes – SunSpider com 1052 contra 855 do iPad (menor é melhor) e PeaceKeeper com 327 contra 943 do iPad (maior é melhor). Os resultados são influenciados por diversos factores, que não vão ser aqui discutidos, e obviamente não representam um rendimento geral mas apenas o desempenho do Browser aliado ao processamento. Fica a informação, que vale o que vale, mas note-se que ambos os dispositivos foram anunciados e lançados nos mesmos meses.
Corri ainda um Benchmark que testa o desempenho do armazenamento interno, CPU, GPU e memória: Speed Test Pro. Essa aplicação existe apenas na Loja Windows, pelo que não é possível comparar directamente os resultados com outros dispositivos a que temos acesso
Apenas o resultado correspondente à memória RAM pareceu bastante desajustado.
7 – Autonomia
Uma máquina destas não trabalha sem energia e todo o cuidado é pouco, em termos de concepção e optimização. A bateria do Surface tem uma boa capacidade (31.5Wh) mas, por exemplo, está longe da capacidade exorbitante da bateria do iPad 3 ou 4 (42.5Wh).
Isso faz do iPad o topo mas não faz do Surface uma desilusão… pelo contrário, a autonomia do Surface é bastante boa e suficiente para um dia de trabalho (como quem diz 8 horas).
Foram 4 dias seguidos que estive sem carregar a bateria do Surface. O WiFi esteve sempre ligado, com a minha conta de email principal (que engloba todas as minhas contas) e utilizei-o todos os dias, várias vezes, para consultar emails, gerir o calendário e experimentar algumas aplicações.
Bem, a utilização é sempre muito relativa, depende também do brilho do ecrã e dos conteúdos utilizados (os jogos poderão exigir um pouco mais), mas no geral a autonomia do Surface encontra-se acima da média dos tablets.
8 – Veredicto
O Microsoft Surface RT surge como a primeira peça da Microsoft neste ramo. É uma peça cuidada e que preza pelo pormenor e adaptabilidade, apostando num conjunto de critérios que vão de encontro a determinado tipo de utilizadores.

Diria que um utilizador de tablets Android ou iOS, que se sinta bem em cada um desses sistemas, dificilmente será um potencial utilizador de um Surface, ou Windows RT em geral… e vice-versa.
O Surface é, essencialmente, um tablet para quem estava, ainda, à espera de algo com estas características, que são únicas no mercado. No entanto este tablet, aliado a uma das capas, não é suficiente para conseguir substituir um PC, a menos que o utilizador tenha tarefas fixas e muito específicas, que encaixem perfeitamente no Surface e que dispensem um computador… o que é pouco provável.
No entanto, é sem dúvida um complemento bastante competente de um PC Windows e fá-lo como nenhum outro.
A oferta de aplicações é ainda pouco abrangente e há muito trabalho a fazer neste campo. A Microsoft não pára de criar incentivos aos programadores, para que surjam mais e melhores aplicações, mas eventualmente será necessário ajustar os ingredientes para que a receita fique optimizada. Na minha opinião, este é o ponto mais sensível no Windows RT, e consequentemente no Surface.
Aspectos positivos
- Qualidade de construção e materiais
- Kickstand incorporado e facilidade de acoplamento das capas
- Suite de produtividade Microsoft Office 2013
- Som Stereo
- Porta USB, saída de vídeo micro-HDMI e cartão microSD
- Autonomia
Aspectos negativos
- Ecossistema fraco
- Não tem GPS e NFC
- Necessidade de reiniciar para instalar actualizações – tal como num PC
O Pplware agradece à Microsoft o comodato do Surface RT para esta análise.
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