Motores/Energia

Porque os barcos medem a velocidade em nós em vez de quilómetros por hora

26 Comentários

Em notícias ou conteúdos sobre o mar, a velocidade é comummente medida em nós. Por que motivo se utiliza esta unidade, ao invés de quilómetros ou metros por hora, conforme acontece para a velocidade terrestre?

Barco da EVOY


Quando se conduz em terra, a velocidade é medida em quilómetros por hora (km/h) ou milhas por hora (mph), pois é possível ver pontos de referência fixos e estimar a distância e a velocidade percorridas.

Contudo, uma vez que, no mar, esses pontos de referência não costumam existir, é impraticável para as embarcações confiarem nos mesmos sistemas de viagem usados em terra. Por isso, recorrem aos nós, em vez de aos quilómetros ou às milhas por hora.

Um nó é definido como uma milha náutica por hora, e uma milha náutica é ligeiramente mais longa do que uma milha padrão. Especificamente, uma milha náutica equivale a 1852 metros e é baseada na geometria da Terra: uma milha náutica corresponde a um minuto de latitude no globo.

Coordenadas geográficas: Latitude e Longitude. Fonte: DREAMSTIME, via RTP Ensina

Esta unidade de medida torna as milhas náuticas e os nós mais úteis para a navegação, pois alinha-se com as coordenadas globais usadas nas cartas náuticas.

De onde vem o termo “nó”?

Depois da explicação sobre a unidade de medida, é interessante conhecer a raiz histórica do termo “nó”.

Aparentemente, num período que não é consensual entre os historiadores, mas que a maioria aponta para entre os séculos XVI e XVII, os marinheiros mediam a velocidade com a ajuda de uma ferramenta simples, chamada chip log.

Chip log com uma placa de madeira, na extremidade. Fonte: Royal Museums Greenwich

De forma simplificada, usavam uma corda, ao longo da qual faziam nós espaçados uniformemente, com intervalos de cerca de 14,4 metros. Na extremidade, a ser arrastada atrás do navio, era colocada uma placa de madeira, ou chip.

Essa corda era, depois, lançada ao mar e, à medida que o navio avançava, os marinheiros contavam o número de nós que passava pelas suas mãos num determinado período de tempo, usando uma ampulheta de 28 segundos.

Por via dos nós, ainda hoje em dia, os marinheiros obtêm uma medida prática e universalmente compreendida de velocidade que se liga diretamente à navegação e à cartografia.

Autor: Ana Sofia Neto
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Comentários

26

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  1. Avatar de Zé Fonseca A.
    Zé Fonseca A.

    quando tirei a carta de patrão local aprendíamos milhas náuticas e não nós

    1. Avatar de Jaines
      Jaines

      que raio de escola

    2. Avatar de Jose
      Jose

      Nó, é a medida para velocidade.
      Milhas é para distância.
      Um nó é uma milha por hora.

      1. Avatar de To Canelas
        To Canelas

        O Zé é mais barco a remos

    3. Avatar de Max
      Max

      Num barco pequeno faz sentido falar milhas (marítimas) por hora. Nos barcos grandes continua-se a dizer nós.

  2. Avatar de Samagaio Vergas
    Samagaio Vergas

    Nós, quem?

    1. Avatar de Realista
      Realista

      “nóses”

      Diz-se: “Deus dá “nóses” a quem não tem dentes. “

    2. Avatar de Hugo
      Hugo

      As áveres somos nóizes..

    3. Avatar de Paulo Francisco
      Paulo Francisco

      Toda a gente burra que apanha o comboio em andamento, mas mesmo assim procura protagonismo.

  3. Avatar de CaptianObvious
    CaptianObvious

    Não sei como é que a Operadora ainda não pegou nisto para markting

    NOS
    – Pq uma verdadeira navegação na internet se mede em nós.

    Obrigado NOS, são 100k€ 😀

    1. Avatar de Hugo
      Hugo

      Isso seria propaganda para inteligentes…e esse público não está ao alcance 😀

    2. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Top, próximo anúncio da NOS vai ser em alto mar

  4. Avatar de halnaweb
    halnaweb

    Com sorte num optimist conseguia-se no Tejo uns 4 nós que dáva uma sensação de velocidade porreira.

    1. Avatar de Jaines
      Jaines

      Eu a nadar dou 7 nós

    2. Avatar de Max
      Max

      “A velocidade média diária da nau São Gabriel variava entre 4 e 5 nós”. Tem que se ver que deslocava 120 tonéis.

  5. Avatar de Max
    Max

    O padroeiro de Mira é S. Tomé. Diz a tradição que S, Tomé desaparecia e era encontrado num faval. Na versão que me chegou era o padre que quando queria favas o escondia e organizava uma procissão:
    – “S. Tomé de Mira, onde estarais vós? Dentro de algum faval, o que será de nós?”. E o povo respondia:
    – “Apareça o santo que as favas daremos nós …”

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Mira é gira

  6. Avatar de Alejandro
    Alejandro

    No artigo, refere-se que os 1852m que equivalem a uma milha náutica, correspondem a um minuto de latitude. Inevitavelmente surge-me uma questão: Ao navegar uma milha náutica, em qualquer rumo que não o rumo 360 ou 180, aí deixa de corresponder a um minuto de latitude. Então que cálculos são feitos, para uma melhor precisão de distância percorrida bem como a localização? Também é importante ter em conta que as circunferências mudam de tamanho, conforme avançamos ou afastamos da linha do Equador, bem como nos meridianos.

    1. Avatar de Max
      Max

      Pergunta à “Vista geral de IA”: “Como era feita a medição da latitude na época das descobertas? E da longitude?”.
      A barquinha servia apenas para medir a velocidade, de forma aproximada. A distância dos nós 14,4 metros foi escolhida para corresponder à forma e peso da barquinha (no post chip log), à distância a que corresponde milha marítima e à ampulheta (de 30 segundos, no post encolheu 2). Eram precisos dois marinheiros – um que largava a barquinha num ponto certo do navio, e outro que deslizava o fio e contava os nós até terminar a ampulheta.
      Palpita-me que alguns faziam o mesmo que, mais recentemente, os que tinham que dar a informação sobre a temperatura nas estações metereológicas em dias de muito calor – que, para não s deslocar à estação, punham a mão de fora da janela e diziam “38,5º”.

    2. Avatar de Alfie
      Alfie

      Foi bem explicado, no texto, que a milha marítima corresponde a 1 minuto de arco de um meridiano. Os meridianos são círculos máximos entre os dois pólos e têm sempre o mesmo diametro. Já os paralelos (cruzam perpendicularmente os merídianos) têm diametros que vão diminuindo entre o equador e os polos. O que quer dizer que os meridianos têm sempre 21600 de diametro e só o paralelo do equador é que tem o mesmo valor, sendo todos os outros cada vez mais pequenos conforme se afastam do equador (correspondendo ao diametro daquele local do planeta). O valor da milha mantem-se igual em todo o lado (tal como o valor do quilómetro). Posto isto qual é a dificuldade?

      1. Avatar de Max
        Max

        Com rigor:
        1 minuto de arco (de latitude, num meridiano) varia ligeiramente = 1843 m nos polos e e 1862 m no equador. Por convenção:
        1 milha marítima = 1852 m = 1 minuto de arco.
        1º de latitude = 60 minutos de arco = 60 milhas marítimas
        O que ele perguntou é como é que a navegar num rumo intermediário (quadrental) – ou seja nem exatamente para norte para norte nem para sul , “que cálculos são feitos, para uma melhor precisão de distância percorrida bem como a localização?” Obviamente a barquinha não chega. A questão não era se a milha marítima varia ou não varia.

        1. Avatar de Max
          Max

          Já agra …
          Então, quanto dista do equador ao polo, em milhas maritimas (náuticas) à superfície?
          = 90º x 60 mn = 5400 mn aproximadamente
          E o perímetro de um meridiano? 21.600 mn (=360º x 60 mn)
          E o perímetro do equador? 21.600 mn (=360º x 60 mn)
          E o perímetro do paralelo de 45º? 15.258 mn (P = Pequador x cos(latitude), P45 = 21.600 x cos(45º) = 21.600 x 0,7071 = 15.258 mn

        2. Avatar de Max
          Max

          Só para quem acha piada a isto. No paralelo de 45º:
          – 1º grau de latitude = 60 mn,
          – 1º de longitude = 42,4 mn = 60 mn x cos (45º) ou = 15.258 mn / 360º

          1. Avatar de Alejandro
            Alejandro

            Caro Max, obrigado pelas explicações e pelos cálculos por si apresentados nos comentários, bem como por ter percebido a minha questão.

          2. Avatar de Max
            Max

            Com mais uns posts sobre astrolábio náutico, quadrante, balestilha (o sextante só apareceu no século XVIII), bússola marítima e ampulheta (o primeiro cronómetro mecânico também só apareceu no século XVIII) fica-se capaz de navegar até Cacilhas 🙂
            Mas não há dúvida que. para quem gosta, tem bastante graça.
            Quem é que não se lembra do que aprendeu na escola: “a Terra é redonda, ligeiramente achatada nos polos”? Um preciosismo, porque a diferença no diâmetro da Terra de polo a polo e no equador é de apenas 42 km. Mais esférico que isto não há.

  7. Avatar de Eduardo
    Eduardo

    Eu prefiro medir em jardas 🙂