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A Terra tem um enorme “buraco gravitacional” e os cientistas poderão ter descoberto a razão

16 Comentários

A Terra não é aquela esfera perfeita que as pessoas têm na sua ideia. Também não é composta de forma homogénea pelos mesmos materiais. Isto significa que a força que a gravidade exerce sobre nós (ou qualquer outro objeto na sua superfície) pode variar de um ponto da geografia para outro. Sim, vamos falar no enorme buraco gravitacional no Oceano Índico, e no que os cientistas finalmente descobriram.


A Terra tem um buraco gravitacional. Há uma nova explicação

Embora tenhamos aprendido que a força da gravidade terrestre provoca uma aceleração de 9,81 metros por segundo ao quadrado na superfície da Terra, esta medida não é homogénea. Graças a um estudo realizado por investigadores do Instituto Indiano de Ciência, temos uma ideia melhor do que modula estas alterações.

O novo estudo centrou-se no chamado baixo geoide do Oceano Índico ou Ocean Geoid Low (IOGL), uma região do Oceano Índico onde esta força exercida pela interação gravitacional é particularmente fraca. A equipa de investigadores investigou as razões desta anomalia gravitacional, uma das mais pronunciadas do nosso planeta.

Cientistas indianos descobriram uma anomalia gigante no Oceano Índico. Essa anomalia é chamada de “buraco gravitacional”, que é uma enorme depressão no campo gravitacional e cobre mais de três milhões de quilómetros quadrados do oceano.

 

O mistério do desaparecimento do oceano Tétis

De acordo com o último estudo que analisou a questão, a chave está nos movimentos das placas tectónicas que ocorreram nos últimos 30 milhões de anos. Mais concretamente, no movimento que teria feito com que a crosta terrestre onde se situava o desaparecido oceano de Tetis acabasse por ficar enterrada sob o que é hoje o continente africano.

De acordo com a hipótese avançada no estudo, este “fosso” gravitacional teria ocorrido depois de o subcontinente indiano se ter separado do antigo continente de Gondwana e ter iniciado a sua viagem ao longo do mar de Tétis em direção ao que é hoje o continente euro-asiático. Durante esta viagem, a placa que servia de fundo do mar de Tétis teria descido para o manto terrestre.

O trânsito da Índia para norte teria criado o atual Oceano Índico, mas também teria permitido o aparecimento de plumas de magma, uma rocha relativamente fina que teria subido para as camadas superiores da Terra graças à sua baixa densidade.

De acordo com os modelos utilizados pelos investigadores, estas plumas teriam começado a aparecer há 20 milhões de anos e, com o tempo, proliferaram e tornaram o mínimo gravitacional do Oceano Índico cada vez mais intenso.

Um enorme e misterioso “buraco de gravidade” nas profundezas do Oceano Índico tem deixado os cientistas perplexos por décadas. Claro, este não é um “buraco” real, como se pode supor depois de ouvir o termo. Em vez disso, é uma enorme anomalia na crosta terrestre com gravidade significativamente menor do que a média.

Plumas de magma poderão ser a explicação para o “buraco” no Índico

O estudo, publicado recentemente na revista Geophysical Research Letters, baseia-se em várias simulações realizadas pela equipa de investigação. Estas baseiam-se em trabalhos semelhantes publicados em 2017 e são complementadas por dados recolhidos em sondagens oceânicas realizadas em 2018.

A expedição colocou uma série de sismógrafos ao longo de centenas de quilómetros do fundo do mar do Oceano Índico. Com base nestes dados, os investigadores simularam os movimentos subtectónicos dos últimos 140 milhões de anos.

Os modelos criados pela equipa forneceram uma explicação plausível, mas provar que as plumas de magma estão onde os modelos preveem será uma tarefa difícil. O interior do nosso planeta é uma daquelas coisas que está tão perto e, no entanto, tão difícil de observar. Qualquer esforço para ver com os nossos próprios olhos o que está debaixo dos nossos pés tem limitações significativas. Por mais fundo que nos encontremos.

É por isso que a análise sismográfica é a nossa melhor ferramenta, mas recolher dados desta forma é também uma tarefa árdua que requer movimentos sísmicos e tectónicos. É provável que as sondagens na zona nos forneçam novos dados que nos permitirão testar a nova hipótese.

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Comentários

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  1. Avatar de SANDOKAN 1513
    SANDOKAN 1513

    “A Terra não é aquela esfera perfeita que as pessoas têm na sua ideia.” A primeira frase do artigo é elucidativa.Não sei porquê mas também sempre tive esta ideia.

  2. Avatar de AM
    AM

    Também me queria parecer, pois com tanta montanha como havia de ser redonda!

  3. Avatar de Entusiasta
    Entusiasta

    O planeta não é uma esfera (nenhum o é aliás) é um geoide. É essa imperfeição que causa uma distribuição não uniforme do campo de gravidade da Terra. A novidade deste estudo não é ser um geoide (está ideia já vem desde Gauss pelo menos) é tentar explicar a diferença abrupta no valor da aceleração gravítica no oceano Índico. Mais, sabe-se também já há bastante tempo que a forma do geoide não é constante. Oscila no tempo devido ao movimento relativo entre núcleo e manto terrestres

  4. Avatar de Blackbit
    Blackbit

    Mas afinal qual é o valor da força gravitacional nesse “buraco” ?

  5. Avatar de Dono da verdade
    Dono da verdade

    Oxalá ninguém caia lá dentro

  6. Avatar de Jose Mascarenhas
    Jose Mascarenhas

    Mais uma Notíçia para Hipnotizar , ou confundir, Eu Pessoalmente só já acredito no que Instintivamente a minha Consciênçia me diz. dizem que Terra anda mil e seissentos kilometros por hora, Entâo Eu pergunto ! Um aviâo , que faz linha a 900 kilometros por hora jamais chegaria ou seu destino , porque nâo consegueria ultrapassar a velocidade da Terra. dá que pensar nâo? em quem acreditar nâo é verdade..

    1. Avatar de Vítor M.

      Só dá para quem não tem conhecimentos e preguiça de pesquisa. A Terra tem uma velocidade de 1.666 Km/h na altura do equador. A Terra gira e com ela gira a sua atmosfera. Se um avião está dentro da sua atmosfera, vai necessitar dos seus motores para ir do ponto A até ao Ponto B. Como é possível ainda dizeres tanto disparate?

    2. Avatar de Carlos
      Carlos

      Por essa razão os aviões voam sempre no sentido oposto á rotação

      1. Avatar de LRS
        LRS

        Isso não é verdade. A verdade é que, como explicou o Vitor M., a Terra gira e com ela gira toda a camada de ar desde a superfície até à zona sub-orbital num único sistema composto pelo planeta e pela sua atmosfera e por isso, teoricamente, é exatamente o mesmo (em termos de tempo e de distância) voar no sentido rotação da Terra ou no sentido contrário. O que acontece é que normalmente os aviões, principalmente nos voos intercontinentais entre pontos próximos do equador, fazem um deslocamento circular para norte ou para sul ao inviés de voar diretamente de ponto para ponto e isso é para diminuem as distancias entre dois pontos ou seja, como a Terra é redonda se voarem diretamente sobre o equador têm de fazer uma distância maior.

      2. Avatar de Há cada gajo
        Há cada gajo

        A sério ? Então quando vens dos EUA para Lisboa, invertem os motores da terra ? é isso ? Ou os aviões regressam de marcha atrás ?? Isto está bonito tá….

        1. Avatar de Vítor M.

          Heheh vocês não perdoam “motores em marcha atrás” 😀

      3. Avatar de Toni da Adega
        Toni da Adega

        Não é possível voar sentido norte sul??

    3. Avatar de Protufues no es conhijo
      Protufues no es conhijo

      “Notíçia, Consciênçia. Seissentos kilometros, Entâo aviâo , kilometros nâo consegueria nâo? nâo”
      Alguém andou a valtar has aulas de protuguês

    4. Avatar de Micael
      Micael

      Por essa lógica, darias um salto na vertical e já não aterrarias no mesmo sítio…

    5. Avatar de Há cada gajo
      Há cada gajo

      Ainda andas nisso ?Dá que pensar que a tua linha de raciocínio só funcionaria quando o voo de um avião fosse num sentido, ou seja, no sentido da rotação da terra, porque se for ao contrário, pela tua lógica, o voo seria superior à velocidade do som e…pasma-te…não é ! E agora ??

    6. Avatar de LA
      LA

      Oh meu deus…