Ciência

Estes empregos podem reduzir a probabilidade de morrer da doença de Alzheimer

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Apesar da enorme incidência e do impacto que tem nos pacientes, as décadas de investigação ainda não identificaram as causas nem descobriram tratamentos verdadeiramente eficazes para a doença de Alzheimer. Contudo, os cientistas não param e um estudo recente concluiu que há dois empregos que podem reduzir as probabilidades de morrer de Alzheimer… Porquê?

Motorista/ taxista


Um artigo de Robert H. Shmerling, Senior Faculty Editor, na Harvard Health Publishing, menciona um estudo que concluiu que o risco de morte devido à doença de Alzheimer é significativamente menor em motoristas de táxi e ambulância em comparação com centenas de outras profissões.

Conforme explicou, nas últimas duas décadas, pequenos estudos demonstraram que os motoristas de táxi de Londres tendem a ter um aumento numa área do hipocampo, uma parte do cérebro envolvida no desenvolvimento da memória espacial. Curiosamente, essa parte do cérebro é uma área comummente danificada pela doença de Alzheimer.

Essas observações levaram à especulação de que os motoristas de táxi podem ser menos propensos à doença de Alzheimer do que pessoas com empregos que não exigem habilidades semelhantes de navegação e processamento espacial.

 

Destaque para as capacidades espaciais e de navegação em tempo real

Com uma incidência brutal em todo o mundo, é imperativo explorar formas de prevenir a doença de Alzheimer. De facto, apesar de se saber que uma dieta saudável, exercício físico regular e outras medidas podem ajudar as pessoas a retardar ou evitar a doença, é preciso saber mais.

Alzheimer

Um estudo recente explorou a possibilidade de os motoristas de táxi serem menos propensos à doença de Alzheimer, analisando dados de quase nove milhões de pessoas que morreram ao longo de um período de três anos e tinham informações sobre a profissão nas suas certidões de óbito.

Depois de levar em consideração a idade da morte, os investigadores contabilizaram as taxas de mortalidade relacionadas à doença de Alzheimer para mais de 443 profissões diferentes.

No artigo, Robert H. Shmerling descreveu os resultados como “dramáticos” e enumerou:

  • Motoristas de táxi e ambulância eram muito menos propensos a morrer de causas relacionadas à doença de Alzheimer do que pessoas noutras profissões. Embora os dados indiquem pequenas (e aparentemente insignificantes) diferenças, elas traduzem-se em mais de 40% menos mortes relacionadas à doença de Alzheimer entre motoristas de táxi e ambulância.
  • Este benefício não pareceu estender-se a outras pessoas com empregos que envolvem navegação. Por exemplo, pilotos de avião (2,34%) e capitães de navio (2,12%) tiveram algumas das taxas mais altas de morte por doença de Alzheimer. Os motoristas de autocarro (1,65%), contudo, ficaram mais próximos da média da população, mas não tão baixos quanto os motoristas de táxi e ambulância.
  • Outros tipos de demência não seguiram este padrão: as taxas de morte por demência que não a doença de Alzheimer não foram mais baixas entre motoristas de táxi e ambulância.

Citando, “uma explicação possível é que trabalhos que exigem capacidades espaciais e de navegação em tempo real alteram tanto a estrutura quanto a função do hipocampo”.

Se esses trabalhos ajudam a manter o hipocampo saudável, isso poderia explicar porque as mortes relacionadas à doença de Alzheimer – mas não as mortes por outros tipos de demência – são menores entre motoristas de táxi e ambulância.

Escreveu Shmerling, acrescentando que isto poderia explicar, também, “os estudos mais antigos que encontraram aumento em partes do hipocampo em pessoas com esses trabalhos”.

Táxis em fila

Além disso, os autores do estudo sugerem que os motoristas de autocarro, pilotos e capitães de navios não têm a mesma proteção que os motoristas de táxi e ambulância, porque os seus trabalhos envolvem rotas pré-determinadas, com menos exigências de navegação em tempo real. Por isso, podem não alterar tanto o hipocampo.

Entretanto, apesar das limitações que os autores reconheceram ao estudo, como a potencial imprecisão das certidões de óbito e o potencial acaso entre o emprego e a doença de Alzheimer, os resultados alargam a compreensão da doença, e motivam novas e mais profundas investigações.

 

Leia também:

“Maior e mais robusto estudo” deste tipo associa 15 fatores ao risco de demência precoce

Autor: Ana Sofia Neto
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Comentários

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  1. Avatar de Yamahia
    Yamahia

    A orientação no mato ainda e melhor. Um gajo anda sempre no improviso.

    1. Avatar de Rui Almeida
      Rui Almeida

      Que comentário ordinário.

      1. Avatar de Realista
        Realista

        Não é esse tipo de mato…

  2. Avatar de há cada gajo
    há cada gajo

    Uau ! E estes estudos servem exatamente para quê ?

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Recrutamento para a uber

    2. Avatar de PTO
      PTO

      É assim que a ciência evolui, se nunca se estudar nada,nunca se aprende nada.

  3. Avatar de Max
    Max

    Sei bem que o assunto é sério. Mas achei graça a quem descobriu uma limitação neste estudo, que abrangeu um total de 8. 972. 221 de pessoas falecidas com indicação da profissão
    – Condutores de ambulância – nº: 1.346, idade média do óbito 64,2 anos
    – Taxistas: 16.658, 67,8 anos
    – Pilotos de avião: 8.465, 78,8 anos
    – Condutores de autocarro: 43.295, 74,0 anos
    – Capitães de navio: 4.199, 72,6 anos
    – Outros: 8.898.256, 74,3 anos
    E diz ele: Então não se está mesmo a ver? O Alzheimer ataca sobretudo a partir dos 65 anos. Como a idade média da morte dos condutores de ambulância é de 64,2 anos e dos taxistas é de 67,8 anos, grande parte deles morreu, de outras causas, antes de ter desenvolvido Alzheimer. E notou mais outra coisa – que os condutores de ambulância e taxistas tinham uma proporção de homens muito maior do que os outros, quando o Alzheimer afeta mais as mulheres.
    O resultado é que o estudo não é suficientemente conclusivo – e são precisos mais estudos … que é o habitual nos estudos.

    1. Avatar de AlexS
      AlexS

      No entanto atendendo á dificulade de muitas mulheres nas capacidades espaciais talvez confirme.

      1. Avatar de Max
        Max

        Confirma-se é que, nos EUA, há poucas mulheres condutoras de ambulância e taxistas:
        – Condutores de ambulância: 22,0% são mulheres
        – Taxistas: 10,4%
        – Pilotos de avião: 2,9%
        – Condutores de autocarro: 49,8%
        – Capitães de navio: 2,3%
        – Outros: 48,3%
        Mais do que isto não se conclui nada relativamente ao género. Não se sabe se o as mulheres condutoras de ambulância ou taxistas desenvolvem mais capacidades espaciais ou se morrem menos de Alzheimer.