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Restrições dos EUA fizeram crescer empresas chinesas como a Huawei. De que forma?

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Refugiando-se principalmente em questões de segurança nacional, os Estados Unidos da América (EUA) têm impedido as empresas chinesas de acederem à sua tecnologia de chips. No caso da Huawei, as restrições foram até benéficas, com a empresa a desenvolver-se de forma mais autónoma nesta matéria.

Chips Huawei


Visada pelas restrições dos EUA em matéria de chips, a Huawei viu-se obrigada, há alguns anos, a trabalhar nas suas próprias soluções, desprendendo-se da oferta americana.

De facto, sabe-se que as políticas dos EUA contra a China estão, contrariamente ao esperado pelo país liderado por Donald Trump, a impulsionar avanços tecnológicos pelas empresas chinesas.

 

Huawei está a crescer “passo a passo”

Numa entrevista recente ao People’s Daily, Ren Zhengfei, fundador da Huawei, disse que a empresa não precisa de se preocupar com os desafios dos chips, pois, perante os bloqueios e a repressão externos, “não há necessidade de pensar muito nas dificuldades; basta agir e avançar passo a passo”.

Segundo Zhengfei, a Huawei desenhou uma estratégia pragmática para superar as restrições tecnológicas dos EUA, focando-se no investimento e execução da pesquisa teórica, sem a qual a China não tem raízes para crescer: “Sem investigação fundamental, […] mesmo que as folhas pareçam exuberantes e viçosas, uma única rajada de vento pode fazê-las cair”.

Muitas empresas chinesas de chips têm um bom desempenho. A Huawei é apenas uma delas. Os EUA exageram as nossas conquistas – ainda estamos uma geração atrás em desempenho de chip único.

Disse o fundador da Huawei, depois de Jensen Huang, diretor-executivo da Nvidia, ter afirmado, numa entrevista recente à Bloomberg, que a tecnologia de chips de IA da Huawei – incluindo o cluster CloudMatrix e o chip Ascend 910C – compete com as ofertas de ponta da empresa norte-americana de semicondutores, como o Grace Blackwell e H200.

Ren Zhengfei, fundador e diretor-executivo da Huawei
Ren Zhengfei, fundador e diretor-executivo da Huawei

Apesar de a Huawei estar ainda “uma geração atrás em desempenho de chip único” dos EUA, Xiang Ligang, diretor-geral da Zhongguancun Modern Information Consumer Application Industry Technology Alliance, uma associação da indústria de telecomunicações, acredita que as conquistas da empresa chinesa demonstram como as restrições dos EUA estão a acelerar o progresso da China em tecnologia de chips.

A indústria de semicondutores da China, temperada por anos de sanções dos EUA, ostenta agora uma competência mais forte.

De facto, Ren Zhengfei assegurou que os desafios relacionados ao software que a China enfrenta são superáveis, pois “o software é construído com base em símbolos matemáticos, códigos e camadas de algoritmos de ponta; não há restrições aqui”.

Por sua vez, “o verdadeiro desafio está no nosso sistema educacional e no desenvolvimento de talentos; no futuro, a China terá centenas, ou mesmo milhares, de sistemas operativos apoiando o seu progresso na indústria, agricultura, saúde e muito mais”.

Na sua perspetiva, é essencial assegurar investigação dentro do país, pois é exatamente isso que valoriza e encarece os produtos estrangeiros: “Sem investigação teórica, não haverá grandes avanços e não conseguiremos alcançar os EUA”.

Autor: Ana Sofia Neto
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  1. Avatar de Jorge
    Jorge

    Cada um compra o que quer.