Motores/Energia · Notícias

Entre greves e negociações, Volkswagen pode não fechar as suas fábricas na Alemanha

13 Comentários

Num momento que tem exigido paciência à Volkswagen e aos sindicatos dos trabalhadores alemães, entre greves e negociações, o encerramento de fábricas esteve já em cima da mesa. Contudo, a fabricante poderá, afinal, não fechar as suas infraestruturas.



No início deste mês, 100 mil trabalhadores abandonaram nove fábricas da Volkswagen, em toda a Alemanha, incluindo a sua fábrica de veículos elétricos, impactando as linhas de montagem. O objetivo passa, desde o início, por lutar contra a redução dos salários, perda de postos de trabalho e o futuro da fabricante de automóveis.

A greve ocorreu após semanas de negociações coletivas, em que a Volkswagen não recuou no seu plano de potencialmente cortar milhares de postos de trabalho, reduzir salários e encerrar três fábricas, na Alemanha. Este teria ajudado a poupar 17 mil milhões de euros.

 

Planos da Volkswagen permanecem incertos

Agora, segundo a Bloomberg, com informação de uma fonte anónima, a Volkswagen está a considerar a possibilidade de manter as suas fábricas em funcionamento, restabelecendo os acordos de segurança no emprego até 2030. Em contrapartida, os funcionários deverão ter de renunciar ao pagamento de bónus.

Segundo a mesma fonte, as medidas de redução de custos em cima da mesa incluem a transferência da produção do Golf da fábrica alemã de Wolfsburg para o México e o fim da produção de veículos elétricos da marca Volkswagen, em Zwickau, por forma a reduzir a capacidade.

A Bloomberg observou que os pormenores do acordo podem mudar e as conversações podem ainda acabar sem acordo, pelo que a Volkswagen e o sindicato IG Metall continuam em terreno instável.

Funcionários da Volkswagen em greve, na Alemanha

Além disso, para Patrick Hummel, analista da UBS, citado pela Bloomberg, “o facto de os trabalhadores renunciarem ao pagamento de bónus e de a Volkswagen reorganizar a produção não será suficiente para poupar mais quatro mil milhões de euros por ano, que a administração precisa para reforçar as margens”.

Assim sendo, “não temos a certeza de que este seja realmente o plano final”.

A Volkswagen tem enfrentado um declínio acentuado das vendas, na China, o seu principal mercado, ao mesmo tempo que enfrenta os desafios da BYD e de outras fabricantes de automóveis chinesas que estão a entrar no mercado europeu com muita força.

Recentemente, neste contexto de instabilidade, a Audi, do Grupo Volkswagen, anunciou que encerrará a sua fábrica, em Bruxelas, no próximo ano.

 

Leia também:

“Volkswagen e não Luxuswagen”: Alemanha pede carros elétricos mais económicos

Também pode gostar

Comentários

13

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de rui
    rui

    A psicologia é tramada, qualquer funcionário que faça greve solidário com colegas só está a garantir o seu despedimento quando a empresa eventualmente falir por não conseguir ter lucros…
    O mais giro é que a malta que diz que isto é bom, são os sindicatos que aconteça o que acontecer já ganharam o deles… Dai os sindicatos atualmente serem um cancro em qualquer empresa…

    1. Avatar de Zé

      Não vai sair nada de bom. E até podem não fechar as fábricas, à custa de muito dinheiro público e a continuação de certos vícios. Obviamente que não é bom uma fábrica fechar e despedir centenas (ou milhares) de trabalhadores, mas manter elefantes moribundos também não é bom.
      Esperemos que a Alemanha tenha melhor discernimento que Portugal em casos como a efacec, tap, ana e tantas outras onde o estado mete a pata. Muitas vezes mais vale deixar morrer que aparecem alternativas frescas e sem vícios à volta.

    2. Avatar de Mário
      Mário

      Engraçado que a culpa é sempre dos sindicatos… a má gestão e o abuso de poder dos patrões nunca tem culpa.

      1. Avatar de rui
        rui

        Neste caso foi má gestão do acionistas, o CEO anterior ate era bom, mas foi mandado embora pois falava do quão dificil ia ser dar a volta…
        Contudo essa má gestão tem de ser corrigida e nisso os sindicatos não permitem.

        1. Avatar de Naodou
          Naodou

          Mas alguma vez o anterior só fez porcaria.

    3. Avatar de Anung
      Anung

      Sindicatos funcionam é na FP, onde ninguém é despedido mesmo com buracos de milhões nas contas.

  2. Avatar de NunoManuelAlves
    NunoManuelAlves

    Vão ser comprados por empresas dos chinos como geely SAIC gac Dong Feng etc … Vai ser o destino … Os contribuintes Boches não vão estar a injectar dinheiro atrás de dinheiro para a VW simplesmente não e sustentável… Produzir produtos foleiros que ninguém quer é simplesmente surreal esses idiotas não leram a escrita na parede agora estão a pagar as favas, enfim… Preparem se a Porsche vai fechar quase 40 Dealers nos chinos já não vendem carros há algum tempo e esperem pelas contas da Mercedes… Vai ser de rir estejam atentos

    1. Avatar de JL
      JL

      “A Volkswagen tem enfrentado um declínio acentuado das vendas, na China”

      É dos elétricos estarem a vender na China. LOOOL

  3. Avatar de PJA
    PJA

    Excelente união entre os trabalhadores, juntos são fortes, seja a lutar pelos seus direitos, seja a produzir produtos de qualidade como é o caso. Um exemplo para Portugal.

    1. Avatar de Zé Gato
      Zé Gato

      Neste caso específico estás bem enganado. A Auto Europa foi, é e certamente continuará a ser umas das unidades de produção mais eficientes do grupo VW. Nem ouviste falar na fábrica portuguesa no meio deste rebuliço, porque será?
      Eles é que deviam seguir o nosso exemplo.

      1. Avatar de PJA
        PJA

        Amigo, eu estou a falar da união entre as pessoas, como se vê nos nórdicos. Mas os Tugas é que sabem.

  4. Avatar de Pedro
    Pedro

    Vw- fiabilidade- custos de reparações nunca combinaram….