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Portugal é alvo “apetecível” do grupo cibercriminoso Lazarus?

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Os investigadores da ESET, a maior empresa europeia de cibersegurança, observaram recentemente um novo ataque que atingiu várias empresas europeias ativas na indústria de defesa. Trata-se de uma campanha associada ao grupo cibercriminoso Lazarus, alinhado com a Coreia do Norte. Estará Portugal na lista?

Portugal é alvo "apetecível" do grupo cibercriminoso Lazarus?


Empresas portuguesas podem ter sido afetadas pelo último ataque?

Algumas das empresas afetadas estão fortemente envolvidas no setor de veículos aéreos não tripulados (UAV/drones), sugerindo que a operação pode estar ligada aos esforços atuais da Coreia do Norte para ampliar o seu programa de drones. O objetivo principal suspeito dos invasores era a exfiltração de informações proprietárias e know-how de fabricação.

Com o propósito de obter mais informações sobre o assunto, a Pplware falou com André Lameiras, Especialista Sénior em Comunicação de Assuntos Governamentais da ESET Global.

Portugal é alvo "apetecível" do grupo cibercriminoso Lazarus?

Existe a possibilidade de outras empresas de indústria militar terem sido afetadas, por exemplo, portuguesas?

AL: De acordo com o observado pela telemetria da ESET, as empresas afetadas foram uma empresa de engenharia de metais no Sudoeste da Europa, uma empresa que produz componentes para aviação e uma empresa na indústria da defesa, as duas localizadas na Europa Central. Em comum têm a produção de equipamentos militares e, em particular, de peças para drones.

Nesta investigação, não detetámos nenhum ataque em Portugal; no entanto, tal como outros países europeus, também Portugal participa no apoio militar à Ucrânia, incluindo drones, pelo que qualquer empresa com atividade nestas indústrias deverá estar vigilante.

No entanto, segundo a investigação da ESET, o principal payload utilizado, ScoringMathTea, pode ser rastreado até aos seus primeiros vestígios públicos em outubro de 2022, através de ficheiros enviados para o VirusTotal, a partir de Portugal e da Alemanha.

Apesar de não existir qualquer alvo português detetado na nossa telemetria, existe, historicamente, alguma exposição do país ao Lazarus, grupo alinhado à Coreia do Norte.

Que papel teve a ESET nesta investigação com estas organizações?

AL: Através da nossa telemetria, a ESET identificou esta campanha e partilha agora publicamente os resultados da investigação.

A ESET recolhe e analisa uma vasta quantidade de informação de threat intelligence que, por razões de confidencialidade, não é divulgada publicamente. Esta informação é apenas partilhada com as autoridades – como centros nacionais de cibersegurança ou unidades de cibercrime -, as organizações envolvidas e através dos nossos relatórios privados de threat intelligence.

Paralelamente, algumas investigações conduzidas pelos nossos centros de I&D são publicadas com o objetivo de alertar para os riscos de um panorama de ciberatividade cada vez mais complexo e de reforçar a importância de dispor de soluções de cibersegurança robustas.

Que recomendação dão às restantes empresas que podem estar na mira destes grupos organizados?

AL: É fundamental compreender como a engenharia social, neste caso, através de ofertas de emprego falsas, pode ser utilizada para aliciar um membro de uma equipa a clicar num link malicioso, comprometendo assim o acesso a informação confidencial de uma empresa alvo de um ciberataque.

Neste sentido, a prevenção e campanhas de sensibilização continuam a ser das defesas mais importantes. Regras simples, como utilizar autenticação multifator (MFA), não usar pen drives desconhecidas, e instalar atualizações assim que estão disponíveis, reduzem significativamente o risco de falha humana.

Ao mesmo tempo, é essencial dispor de soluções de cibersegurança robustas, de pessoas ou equipas dedicadas à sua gestão e de tecnologias de deteção e resposta (EDR e MDR) que permitem identificar e reagir rapidamente a um incidente.

Portugal é alvo "apetecível" do grupo cibercriminoso Lazarus?

As grandes empresas devem também conhecer a sua cadeia de fornecimento, que é, em geral, composta por PMEs com menos recursos e menor maturidade em cibersegurança, mas é um vetor de ataque comum.

Tal como se observa nesta investigação, é provável que a informação roubada pelo grupo Lazarus seja utilizada para aperfeiçoar os projetos de desenvolvimento de drones da Coreia do Norte.

Numa altura em que o panorama geopolítico está em mudança, com reflexo no aumento da ciberatividade, não é surpreendente que grupos alinhados com Estados-nação intensifiquem as suas campanhas de ciberespionagem como forma de adquirir conhecimento técnico que lhes proporcione uma vantagem competitiva ou tecnológica.

Consequentemente, as indústrias envolvidas devem permanecer vigilantes e investir de forma contínua na proteção dos seus equipamentos.

Autor: Pedro Pinto
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