As autoridades alemãs descobriram uma operação de espionagem russa na qual agentes usavam as secções de comentários de vídeos do YouTube com o Cristiano Ronaldo para transmitir mensagens codificadas para Moscovo. O caso não é recente, mas voltou a ocupar as manchetes.
De acordo com o The Sun, o caso de espionagem envolveu Andreas e Heidrun Anschlag. A residir em Marburg, uma cidade a norte de Frankfurt, na Alemanha, ambos possuíam um passaporte (falso) austríaco.
Inicialmente vistos como um casal comum, apresentavam-se como cidadãos com ascendência sul-americana. Andreas trabalhava como engenheiro automóvel, e Heidrun cuidava da casa e da filha, que não sabia da verdadeira identidade dos pais.
Segundo o jornalista alemão Mika Beuster, havia poucos indícios das suas atividades clandestinas, além de longas chamadas telefónicas ocasionais feitas ao ar livre – mesmo durante os meses de inverno.
O casal foi recrutado antes da queda do Muro de Berlim, em 1989, e atuou como agentes de inteligência durante 23 anos.
Durante esse período, transmitiram informações confidenciais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (em inglês, NATO), da União Europeia (UE) e da Organização das Nações Unidas (ONU) para os serviços de inteligência soviéticos e, posteriormente, russos.
Relatórios, citados pela imprensa, indicam que eles eram remunerados com um salário anual de mais de 80.000 euros.
Espiões enviavam mensagens por vídeos de Cristiano Ronaldo
Inicialmente, os Anschlags dependiam de transmissões de rádio e ligações de satélite para comunicar com os seus superiores.
No entanto, à medida que as plataformas digitais cresceram, o casal adaptou a sua abordagem: no início de 2011, criou uma conta no YouTube com o nome de utilizador @Alpenkuh1, enquanto a inteligência russa criou uma conta com o nome de utilizador @crsitanofootballer.
De acordo com o reportado pela imprensa, segundo o ex-correspondente de segurança da BBC Gordon Corera, os espiões usavam as secções de comentários dos vídeos de futebol de Cristiano Ronaldo para trocar mensagens codificadas.
Os investigadores determinaram que os comentários continham sequências de sinais de pontuação que podiam ser convertidos em códigos numéricos, referindo-se a mensagens pré-combinadas.
Exemplos das suas trocas codificadas incluíam comentários como “Ótimo vídeo, e música é incrível”, seguidos por uma resposta da conta ligada ao Kremlin a afirmar: “Ele corre e joga como o diabo”.
A inteligência alemã monitorizou as atividades do casal, e conduziu uma busca à sua residência, em outubro de 2011. As informações disponíveis indicam que Heidrun estava a receber uma transmissão encriptada por via de um dispositivo de rádio quando as autoridades entraram no espaço.
Em julho de 2013, um tribunal alemão condenou Andreas a seis anos e meio de prisão, e Heidrun a cinco anos e meio.
Além disso, um funcionário do Ministério das Relações Exteriores holandês, com quem o casal colaborava, foi condenado a 12 anos. Este fornecia-lhes documentos confidenciais mensalmente, discretamente transferidos por meio de “dead drops”, com pen drives deixados em locais escondidos para recolha.
Em 2015, o casal foi libertado e posteriormente deportado para a Rússia.








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