Testes publicados na semana passada revelaram que o fornecedor chinês dos autocarros públicos da Noruega tinha acesso aos seus sistemas de controlo para atualizações de software e diagnósticos, sendo possível, “em teoria”, interferir com o veículo. Os resultados despertaram a Dinamarca para um potencial problema.
Perante preocupações com possíveis riscos de segurança, a autoridade de transporte público norueguesa decidiu testar dois autocarros elétricos chineses num ambiente isolado.
Entretanto, os resultados dos testes, publicados na semana passada, revelaram que o fornecedor Yutong Group tinha acesso aos seus sistemas de controlo para atualizações de software e diagnósticos, e poderia desligar os veículos remotamente.
Testes detetaram potencial vulnerabilidade em autocarros elétricos
Com autocarros conduzidos em minas subterrâneas para eliminar sinais externos, os testes foram realizados tanto em autocarros Yutong novos quanto em veículos com três anos da fabricante holandesa VDL, segundo a operadora.
Conforme reportado, os testes mostraram que os autocarros holandeses não tinham a capacidade de realizar atualizações de software remotas (over-the-air), enquanto os autocarros fabricados na China tinham: “a fabricante [Yutong] tem acesso digital direto a cada autocarro individual para atualizações de software e diagnósticos”.
Em teoria, isso poderia ser explorado para afetar o autocarro.
Afirmou a Ruter, conforme citado.
Os testes permitiram perceber que a desativação remota poderia ser evitada removendo os cartões SIM dos autocarros. Contudo, decidiram não o fazer, uma vez que isso desligaria, também, o autocarro de outros sistemas.

Informação avançada pelo The Guardian cita uma declaração em que a empresa chinesa afirma que “cumpre rigorosamente” as leis e regras dos locais onde os seus veículos operam, e esclarece que os dados sobre os seus autocarros estavam armazenados na Alemanha.
A mesma fonte citou, também, um porta-voz não identificado da chinesa Yutong, dizendo que os dados são encriptados e “usados exclusivamente para manutenção, otimização e melhoria relacionadas aos veículos, a fim de atender às necessidades de serviço pós-venda dos clientes”.
A operadora norueguesa anunciou, neste cenário, que iria introduzir requisitos de segurança mais rigorosos e reforçar as medidas anti-pirataria informática, após os testes.
Dinamarca despertou para um potencial problema com os seus autocarros
Entretanto, as autoridades dinamarquesas decidiram estudar com urgência como colmatar a aparente falha de segurança.
A Movia, a maior empresa de transportes públicos da Dinamarca, tem 469 autocarros elétricos chineses em funcionamento, 262 dos quais foram fabricados pela Yutong, segundo o The Guardian.

O diretor de operações, Jeppe Gaard, disse que tomou conhecimento, na semana passada, de que “os autocarros elétricos, tal como os carros elétricos, podem ser desativados remotamente se os seus sistemas de software tiverem acesso à Internet”.
Contudo, acrescentou que “este não é um problema dos autocarros chineses; é um problema para todos os tipos de veículos e dispositivos com componentes eletrónicos chineses incorporados”.
Ainda assim, Gaard assegurou que a agência dinamarquesa de proteção civil e gestão de emergências, Samsik, informou que não tinha conhecimento de nenhum caso específico em que autocarros elétricos tivessem sido desativados.
Alertou, contudo, que os veículos estavam equipados com “subsistemas com conectividade à Internet e sensores (câmaras, microfones, GPS) que podem constituir vulnerabilidades que poderiam ser exploradas para interromper as operações dos autocarros”.






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