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Recorde mundial: Hyundai Nexo faz 1.400 km com um só carregamento de hidrogénio

25 Comentários

A Hyundai acaba de demonstrar que o hidrogénio não é teoria nem futurismo. O seu Nexo percorreu 1.400 km com um único depósito, superando o recorde marcado pela Toyota em 2021 e deixando claro que esta tecnologia pode competir seriamente na mobilidade de longo alcance.

Imagem Hyundai Nexo a hidrogénio


Hyundai demonstra a viabilidade do hidrogénio: o Nexo atinge 1.400,9 km em 36 horas de condução contínua.

Pontos quentes:

  • Recorde mundial de 1.400,9 km.
  • Hidrogénio como opção real para longos trajetos.
  • Recarregamento rápido, menor tempo de espera.
  • Zero emissões, utilização prática.
  • Tecnologia madura, não uma promessa vazia.
  • Impacto na mobilidade limpa e nas políticas públicas.

A prova durou 36 horas e serviu para mostrar algo que tantas vezes se discute sem dados concretos: um veículo a hidrogénio não só oferece zero emissões, como mantém uma ampla autonomia, recarrega em poucos minutos e apresenta um desempenho estável mesmo em longas sessões de condução real.

Um recorde que revela maturidade tecnológica

O All New Nexo, com o seu sistema de pilha de combustível de 150 kW e um binário de 35,7 kg·m, não depende de baterias pesadas nem de longos tempos de espera.

A versão comercial anuncia 720 km de autonomia, mas a experiência recente demonstrou que, em condições controladas e com técnicas de condução eficientes, é possível chegar ao dobro. Não é magia: é uma combinação de gestão térmica melhorada, otimização do fluxo de hidrogénio e um grupo motopropulsor que já deixou para trás os problemas típicos dos primeiros modelos deste tipo.

A marca, com um preço inicial de cerca de 76,43 milhões de won (aprox. 56.400 euros na conversão direta, procura consolidar-se num sector onde ainda existem dúvidas, mas também enormes oportunidades. Quer um SUV a hidrogénio que faça mais de 1.400 km? Aqui está. A autonomia já não é o problema.

Um teste colaborativo com impacto mediático

O teste realizou-se em meados de outubro na zona de Saemangeum, com partida na estação de recarregamento de Gunsan. Vários criadores de conteúdo ligados ao mundo automóvel participaram, revezando-se ao volante. Um dos veículos atingiu 1.400,9 km e o outro 1.360,7 km. Nenhum ficou abaixo do recorde anterior.

A chave esteve na condução precisa e em ajustes básicos, como a pressão dos pneus, que podem influenciar muito um sistema tão sensível como uma pilha de combustível. Para além do espetáculo, a presença de divulgadores com grandes comunidades ajudou a transmitir a mensagem ao público geral, que normalmente vê o hidrogénio como algo distante ou reservado ao transporte pesado.

Concorrência direta com o veículo elétrico de bateria

A comparação com os veículos elétricos de bateria surge naturalmente. Muitos utilizadores valorizam o silêncio e a poupança, mas hesitam devido à autonomia ou ao tempo de carregamento.

Aqui o Nexo mostra a sua principal vantagem: recarrega em tempos semelhantes aos de um abastecimento convencional e oferece uma autonomia pensada para longos trajetos sem necessidade de planear cada paragem.

Ainda assim, a infraestrutura continua a ser o grande obstáculo. Em países como a Coreia do Sul ou o Japão, o desenvolvimento avança com alguma rapidez, sustentado por políticas públicas que procuram posicioná-los como líderes em hidrogénio verde.

Na Europa, o crescimento é mais desigual. Alemanha e França impulsionam corredores estratégicos e estações para transporte pesado, e grande parte dessa infraestrutura pode beneficiar veículos como o Nexo.

O avanço não depende apenas das marcas. As recentes regulações da União Europeia, que procuram acelerar a adoção de combustíveis renováveis na mobilidade, abrem espaço para que tecnologias como a pilha de combustível reduzam emissões sem esperar que as baterias resolvam todos os seus desafios.

Um passo estratégico para a democratização do hidrogénio

A Hyundai fala em expandir a infraestrutura, melhorar a experiência do utilizador e levar a mobilidade a hidrogénio ao público em geral. Não é um discurso vazio.

A empresa participa em projetos de corredores de hidrogénio na Coreia do Sul e em iniciativas piloto que combinam eletrolisadores alimentados por fontes renováveis, transporte público a hidrogénio e redes regionais de recarregamento.

A decisão de comprar um Nexo, como confirmou um dos participantes do desafio, já não se prende apenas com o interesse por uma tecnologia diferente, mas com a perceção de um produto estável e funcional, capaz de competir com alternativas já consolidadas.

Autor: Vítor M.
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Comentários

25

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  1. Avatar de João
    João

    Por “conveniência” esqueceram de falar a velocidade. Uma pilha de combustível também dura menos que as baterias e custa uma peque fortuna. Ainda insistem nessa ideia. Prefixo um carro mais pesado, que dure mais e posso abastecer em casa.

    1. Avatar de JL
      JL

      Mais pesados são estes.

  2. Avatar de somaisum
    somaisum

    Muito bem, sim senhora, acredito mais neste tipo de combustível como um futuro do que o “puto” elétrico.
    Um bocado sensionalista a notícia, mas pronto. Eu com o(s) depósito(s) chips do carro, também faço cerca de 1400km, com condução cuidada, e cerca de 1000 com condução normal (a roçar o desportivo).

    1. Avatar de JL
      JL

      Este também é eléctrico.

      1. Avatar de Yamahia
        Yamahia

        Visto por esse prisma tudo é Elektro pois tudo gira à volta da energia q faz mover as rodas.
        Não é por acaso q a malta fã das marrecas abomina o H2.

        1. Avatar de JL
          JL

          Não, é eléctrico porque usa motores eléctricos, é assim que é classificado.

          Não é por acaso que a malta fã das marrecas a combustão abomina os eléctricos.

          Mas este também tem marreca, até mais pesada.

        2. Avatar de Grunho
          Grunho

          Abomine-se ou não o co2, aquilo é um processo de perdas. Devolve no electrolisador 70 % da energia gasta na produção, máximo. Se depois somares a congelação, a compressão e o transporte, porque aquilo não pode circular por tubagens como gás natural, fica em pouco mais de 30%. Bottom line: ninguém está disposto a pagar aquilo, não é viável.

  3. Avatar de maxim
    maxim

    ghatgpt a escrever atigos para o pplware, agr sim!

    1. Avatar de Vítor M.

      Não dá pica, prefiro escrever eu, e depois perguntar à IA se em termos de gramática está OK. E ajuda. Assim como se usa o Google para pesquisar, estas ferramentas IA dão muito jeito.

      Sugestão, usa também, vai-te ajudar a não dares erros 😉 que não consegues uma frase sem erros.

      1. Avatar de Yamahia
        1. Avatar de BurroFuiEuQueEstudei
          BurroFuiEuQueEstudei

          @Vítor M. faço o mesmo, cartas para o banco etc., escrevo-as eu e depois peço à IA para melhorar gramaticalmente. De tal forma ajudou-me que na última carta que escrevi as melhorias da IA foram mínimas.

  4. Avatar de V
    V

    A não ser que algo mude muito, o hidrogénio será economicamente pouco competitivo nos veículos ligeiros.

  5. Avatar de Max
    Max

    “Hyundai demonstra a viabilidade do hidrogénio: o Nexo atinge 1.400,9 km em 36 horas de condução contínua”
    O que tem que demonstrar a viabilidade do NEXO (um SUV FCEV) são as vendas, que foram: mil (2018), 4 mil (2019), 6 mil (2020), 8,5 mil (2021), 10 mil (2022), 5 mil (2023), 4 mil (2024). Quanto a modelos, foi lançado o 1º em 2018 e o 2º em 2025.
    Em fabricantes, foram entrando e saindo, só ficaram dois: a Toyota com o Mirai e Hyundai com o Nexo.
    Não vale a pena andar com coisas, os FCEV ligeiros de passageiros já ca andam há muitos anos – e não passam de um nicho, o contrário de demonstrar a viabilidade do hidrogénio.

    1. Avatar de JL
      JL

      E o pico de vendas já foi atingido há anos, portanto estão para acabar como os a combustão.

  6. Avatar de Pedro
    Pedro

    E quanto é que custa atestar este carro, no final das contas isso é que importa.

    1. Avatar de JL
      JL

      Tendo em conta que consumiu cerca de 6.8 kg de hidrogénio, dará cerca de 200 euros na Europa, 244 dólares nos EUA.

  7. Avatar de Stanley
    Stanley

    E as apostas no hidrogênio continuam.

    Gosto muito desta marca de veículos. Quando possível uso sua condução semiautônoma na estrada.

  8. Avatar de VAOpoK
    VAOpoK

    Os elétricos foram uma moda de 15 anos.
    O pessoal está a voltar para carros a sério: motor a combustão interna.

    1. Avatar de Vítor M.

      A realidade ri-se do teu comentário 😀

    2. Avatar de JL
      JL

      Mas este é eléctrico, também passou de moda ?

  9. Avatar de PJA
    PJA

    Em navios de grande tonelagem, camiões de longo curso, e outros veículos pesados deve ser possível,  agora em automóveis não acredito. É mais uma possibilidade, feitas as contas, deixo-me ficar no veículo de combustão a gasolina.

  10. Avatar de Infinity
    Infinity

    Até baterem o record que foi feito com VW Passat, vai demorar

  11. Avatar de Realista
    Realista

    Qual foi o preço? Isto é, quanto é que custou para rodar estes 1400km?