Motores/Energia · Notícias

Consumo de água dos servidores é um problema. Mas a Microsoft parece ter a solução

11 Comentários

Os servidores e centros de dados tornaram-se enormes consumidores de água, criando um paradoxo que coloca as próprias gigantes tecnológicas num dilema. Mas a Microsoft parece ter encontrado uma solução.


O problema não se limita apenas ao consumo de água

A quantidade de energia necessária para manter estas infraestruturas operacionais é igualmente colossal, levando empresas como a Microsoft, a Google e a Amazon a considerar a energia nuclear como uma fonte viável para alimentar as suas necessidades.

O calor gerado pelos processadores é um dos maiores desafios nos centros de dados, o que torna a refrigeração líquida essencial. Embora seja comum em sistemas de menor escala, como computadores pessoais, a sua implementação em centros de dados é feita a uma escala gigantesca.

Algumas soluções em estudo incluem submergir servidores em líquidos especializados ou instalá-los diretamente no fundo do oceano para aproveitar as baixas temperaturas naturais.

No entanto, o consumo de água é de tal forma elevado que já gerou bloqueios a novos projetos. Por exemplo, a Google viu-se impedida de construir um centro de dados no Chile devido à quantidade de água necessária – cerca de 7,6 milhões de litros de água potável por dia.

A Microsoft, uma das maiores empresas neste setor, tem vindo a explorar formas de otimizar a refrigeração dos seus servidores. Uma das suas experiências mais arrojadas ocorreu num centro Azure em Washington, onde servidores foram submersos em tanques com um líquido que se mantinha a ferver a uma temperatura constante.

Agora, a empresa apresenta uma solução mais sustentável: um redesign completo das instalações de servidores para utilizar um sistema de refrigeração líquida baseado num circuito fechado.

Com este sistema, a água é utilizada apenas uma vez durante a construção do centro de dados e circula continuamente entre os servidores para dissipar o calor.

Atualmente, cada centro de dados da Microsoft consome cerca de 125 milhões de litros de água por ano, um valor que a empresa pretende reduzir com os novos sistemas. Entre 2021 e 2023, a Microsoft conseguiu melhorar significativamente a eficiência dos seus centros de dados, reduzindo o consumo de água de 0,49 litros por quilowatt-hora para 0,30 litros – uma melhoria de 39%.

Objetivo é atingir um consumo nulo de água doce após a implementação do sistema

Os primeiros testes deste novo design irão decorrer em locais como Phoenix (Arizona), Wisconsin e Mount Pleasant, e os resultados deverão estar disponíveis em 2027.

E a Microsoft não está sozinha nesta missão. Outras empresas tecnológicas, como a Lenovo, também estão a trabalhar para reduzir o consumo de água e energia.

No centro de investigação da Lenovo na Carolina do Norte, por exemplo, estão a ser desenvolvidas soluções que reutilizam a água quente gerada pelos servidores para aquecer edifícios e piscinas.

 

Leia também:

Será que os utilizadores estão a fugir do Windows 11 da Microsoft?

Também pode gostar

Comentários

11

Responder a Tobias Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Arm3nio
    Arm3nio

    Solucoes deste tipo, circuito fechado ja existe á decadas nas cogeraçoes. Nao parece terem inventado a polvora. Abraço e bom natal a todos

  2. Avatar de Asdrubal
    Asdrubal

    Sempre podem utilizar o nitrogénio líquido, um sistema de arrefecimento utilizado há décadas.

    1. Avatar de trolha333
      trolha333

      Exato… há 30 e tal anos que já ouvia falar que iam implementar nitrogénio líquido.
      O problema sempre foram as questões de segurança… não sei como evoluiu a tecnologia nesse quesito…

  3. Avatar de Zé Fonseca A.
    Zé Fonseca A.

    Nada de novo, estão a passar de um sistema de immersion cooling para hydro cooling, já anda por aí há uns largos anos

  4. Avatar de jorge
    jorge

    A microsoft tem soluçoes para tudo, até para arnacar os utilizadores do windows e do office.

  5. Avatar de Ricardo Pacheco
    Ricardo Pacheco

    Já tenho esse sistema de circuito fechado para arrefecer o meu CPU. Inventaram a polvora

    1. Avatar de Fernando P
      Fernando P

      Tem isso a funcionar no seu datacenter?

  6. Avatar de GandaNoia
    GandaNoia

    É só engenheiros aqui…nem sei porque estas grandes empresas não vos contratam e resolviam logo o problema…tão fácil…ai eu…haja paciência…

  7. Avatar de Tobias
    Tobias

    Cada um gaga sentencas mas pelo menos o povo pode manifestar-se.
    Pior sao os comentarios nos media em geral com “ilustres” a dizer o que querem sem
    se poder contradizer.
    Obrg ao pplware pela democracia por permitir discussao independentemente de comentarios idiotas ou inteligentes.

  8. Avatar de Zé

    Só é problema por erros de conceção, mas há muitas formas de dar a volta. Uma, seria construir os centros em locais mais frios. Outra, é fazer arrefecimento/aproveitamento de calor para serviços públicos ou habitação. Ou até mesmo para a produção de energia. Se for integrado, não é assim tão difícil. A ideia da MS é simplesmente implementar um sistema fechado, tal como tem nos carros ou em tanta coisa.

  9. Avatar de Hugo Sousa
    Hugo Sousa

    Ora … vamos começar pelo óbvio…

    Mesmo num “loop” aberto a água desaparece ????

    Mas não há ninguém com espírito crítico…

    Eles usam loop aberto para não gastar energia nos chillers … mas a água não desaparece…

    Mas tudo bem …

    Sim a água é aquecida … mas não desaparece…

    O loop fechado é preferível por não alterar as condições normais dos cursos de água, mas têm que ter equipamentos para dissipar a energia … que é o que fica caro …

    O loop fechado utilizando a geotermia a baixa profundidade é o que tem mais vantagem …

    Mas eles fazem sempre pelo que custa menos a curto prazo …