Novos estudos sugerem que as vacinas de mRNA desenvolvidas para a Covid-19 podem ter um efeito inesperado: fortalecer o sistema imunitário para melhorar os resultados de tratamentos oncológicos, como a imunoterapia.
A próxima vacina de mRNA contra o cancro pode já estar aqui
Investigação em fases iniciais sugere que as vacinas de mRNA contra a Covid-19 podem reforçar o sistema imunitário e melhorar os resultados da imunoterapia em pacientes com cancro.
Para além de proteger contra o vírus, estas vacinas parecem ajudar o corpo a combater tumores.
Vacinas Covid podem potenciar imunoterapia
Estudos recentes indicam que pacientes oncológicos que receberam uma vacina de mRNA nos 100 dias antes de iniciar imunoterapia viveram mais tempo. Apenas cerca de 20% dos pacientes respondem normalmente à imunoterapia, pelo que aumentar a sua eficácia é um objetivo prioritário da investigação.
Estratégias anteriores para estimular o sistema imunitário eram frequentemente insuficientes ou excessivas, mas as vacinas de mRNA podem atingir uma “zona certa”, proporcionando um estímulo adequado.

Evidência de sobrevivência mais longa
Num estudo com mais de 1.000 pacientes com cancro do pulmão avançado, 180 receberam a vacina antes da imunoterapia. A sobrevivência mediana do grupo vacinado foi de cerca de três anos, quase o dobro dos não vacinados (1,5 anos).
Resultados semelhantes surgiram em pacientes com melanoma metastático: os vacinados ainda não tinham atingido a sobrevivência mediana mais de três anos após o início do acompanhamento.
Experiências em ratinhos confirmaram que a vacinação pode “superalimentar” o sistema imunitário contra os tumores.
Como funciona no organismo
A vacinação com mRNA estimula células dendríticas, um tipo de glóbulo branco, a reconhecer os tumores como ameaça. Estas células ativam um “farol” que guia as células T para o tumor, permitindo que ataquem as células cancerígenas.
Embora nem todos os pacientes possuam células T capazes de combater tumores, a vacina aumenta a probabilidade de o sistema imunitário usar as células existentes para reforçar a imunoterapia.
Perspetivas e desafios
Ensaios clínicos de Fase 3 estão prestes a começar para validar estes resultados. Especialistas alertam que outros fatores, como infeções por Covid, podem influenciar os resultados e que estudos retrospetivos nem sempre se confirmam em fases posteriores.
Ainda assim, se os resultados forem confirmados, esta abordagem poderá abrir uma nova fronteira na luta contra o cancro, utilizando a tecnologia de mRNA para potenciar a própria defesa natural do corpo.
Comentários de especialistas
Stephanie Dougan, professora de imunologia do cancro, afirma que:
Estamos a aproveitar um processo natural que o corpo já sabe como responder. Está a usar-se o sistema natural do corpo para combater tumores.
Jeff Coller, especialista em biologia de RNA, acrescenta que a tecnologia mRNA é particularmente promissora porque cada célula do corpo já contém mRNA, permitindo que o estímulo seja incorporado de forma natural.







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