As ferramentas de Inteligência Artificial (IA) chegaram para facilitar largamente a vida dos trabalhadores de muitas áreas – ou, pelo menos, daqueles que sabem tirar o melhor partido delas. Aparentemente, os funcionários estão a utilizar a tecnologia, mas de forma secreta.
Um relatório da KPMG, intitulado Trust in artificial intelligence: global insights 2025, criado em conjunto com a Universidade de Melbourne, revelou uma tendência crescente de funcionários que utilizam secretamente ferramentas de IA no local de trabalho.
Este secretismo pode ter implicações na transparência, confiança e gestão de riscos nos locais de trabalho contemporâneos.
A investigação concluiu que 57% dos funcionários inquiridos admitiram ter encoberto a sua utilização de IA aos gestores e colegas. Mais do que isso, muitos estão a usar material gerado pela tecnologia como se fosse seu.
Das mais de 48.000 pessoas entrevistadas, em 47 países, 58% disse aproveitar deliberadamente a IA no local de trabalho e um terço revelou utilizá-la, pelo menos, semanalmente.
Para Nicole Gillespie, coautora do relatório e professora da Universidade de Melbourne, o relatório reflete um nível preocupante de utilização “inadequada, complexa e não transparente” da IA.
Os funcionários estão a ser levados a utilizá-la por alguns motivos:
- Pressão para cumprirem os objetivos;
- FOMO (fear of missing out ou medo de estar a perder informações, eventos ou experiências que outros estão a aproveitar);
- Limites empresariais à utilização de ferramentas de IA generativas.
Segundo a coaturoa do relatório, a tentação de utilizar a IA no local de trabalho existe e, quando os trabalhadores reparam nos ganhos de produtividade que resultam da utilização da tecnologia, querem continuar a utilizá-la, independentemente de violar ou não a política da empresa.
Formação das pessoas para utilizar a IA é crucial
Entretanto, o relatório descobriu que apenas 47% dos funcionários receberam qualquer formação formal sobre IA. Consequentemente, a maioria utiliza a IA generativa com conhecimentos insuficientes, resultando em consequências preocupantes.
O Business Insider, citado pela imprensa, detalhou os números do estudo:
- 66% utilizam a tecnologia sem verificar a exatidão dos resultados;
- 48% introduzem informações comerciais sensíveis em plataformas públicas;
- 56% cometeram erros de trabalho devido à má utilização da IA.
Conforme alertado por Sam Gloede, líder global trusted AI da KPMG, estes números deixam as empresas vulneráveis a violações de dados, riscos de compliance e danos à reputação.
Para Sam Gloede, é crucial que as pessoas recebam formação básica e específica, por forma a minimizar os riscos e aproveitar todo o potencial da IA.
Afinal, o relatório indica que a maioria dos trabalhadores não sabe como a IA opera ou como utilizá-la eticamente.








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