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Aborto nos EUA: Democratas alargam escrutínio sobre recolha de dados das tecnológicas

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Desde que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América (EUA) proibiu o aborto no país, as tecnológicas têm estado debaixo de olho. A forma como recolhem e utilizam os dados é agora uma questão ainda mais importante.

Por essa razão, os democratas estão a apertar-lhes ainda mais o cerco, por forma a garantir que a privacidade dos utilizadores é assegurada.

Cartazes sobre o aborto nos EUA


De acordo com a Associated Press, os representantes democráticos estão a alargar o seu escrutínio ao papel das empresas tecnológicas na recolha de dados pessoais de pessoas que possam estar à procura de um aborto. A par disso, legisladores, reguladores e a administração Biden debatem-se com o rescaldo da decisão do Supremo Tribunal, tomada no mês passado.

Estas preocupações dos democratas surgem no sentido em que há especialistas em privacidade a defender que a proibição do aborto em alguns estados poderá tornar as mulheres vulneráveis. Isto, porque os dados pessoais podem vir a ser utilizados para vigiar gravidezes, e podem vir a ser partilhados com a polícia.

Aborto nos EUA

Segundo esses especialistas, estarão em causa dados como histórico de pesquisas, dados de localização, mensagens de texto e e-mails, e dados recolhidos por aplicações que rastreiam o ciclo menstrual.

Os dados recolhidos e vendidos pela sua empresa poderiam ser utilizados pelas forças da lei e procuradores em estados com restrições agressivas ao aborto.

Além disso, nos estados que conferem poderes a vigilantes e atores privados para processar os prestadores de serviços de aborto, esta informação pode ser utilizada como parte de um processo judicial.

Disse a deputada Lori Trahan, de Massachusetts, numa das novas cartas ao Congresso.

Quando os consumidores utilizam aplicações no seu telefone e rapidamente tocam no ‘sim’ nos pop-ups de ‘usar dados de geolocalização’, não devem preocupar-se com a venda interminável dos seus dados a anunciantes, indivíduos ou agentes da lei. E não devem certamente ser utilizados para caçar, processar e prender um indivíduo em busca de cuidados reprodutivos. As empresas podem hoje tomar medidas para proteger os direitos individuais.

Empresas como a Amazon e a Oracle foram mencionadas como as principais intermediárias de dados, ou seja, as maiores a recolher e vender os dados dos utilizadores.

As cartas enviadas ao Congresso foram assinadas por vários democratas, além de Lori Trahan de Massachusetts: David Cicilline de Rhode Island, Yvette Clarke de Nova Iorque, Debbie Dingell de Michigan, Adam Schiff da Califórnia e Sean Casten de Illinois.

 

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Autor: Ana Sofia Neto
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Comentários

7

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  1. Avatar de César Oliveira
    César Oliveira

    Por que em vez de matar futuras crianças os homens e as mulheres não usam meios de proteção para impedir a gravidez ? Essa deve ser a questão.

    1. Avatar de Fernando Carvalho
      Fernando Carvalho

      Tudo depende da situação. Pode ser uma gravidez com um bebé mal formado, pode ser uma violação, pode ser uma gravidez com complicações extremas para a grávida que implique interromper a gravidez, etc etc. Tudo depende da situação, nem tudo se resume a contraceptivos.
      Abraço e passe bem

      1. Avatar de César Oliveira
        César Oliveira

        Fernando, aqui a questão não são as exceções, é a regra. Entendes ?
        A maioria das vezes o que essas criaturas querem é prazer sem compromissos. E para não terem compromissos com um novo ser humano, então matam-no.

    2. Avatar de Samuel MGor
      Samuel MGor

      Não tentes comparar um povo maluco (EUA) a pessoa ditas normais.

    3. Avatar de p_t
      p_t

      Lá nos EUA, os mesmos que são contra o aborto, também são contra o planeamento familiar, ou seja, contra os contraceptivos, por exemplo.

      1. Avatar de Daniel
        Daniel

        Primeiro o mal maior, depois vem a proibição dos contracetivos.

  2. Avatar de Bruno
    Bruno

    The Handmaids Tale ….